Meus olhos transcendem o opaco que aumenta com o tempo.
As pernas fraquejam diante do perigo eminente: a morte.
Dos lábios rachados e finos eu canto um hino há muito esquecido: o Adeus.
Depois das memórias perdidas eu busco o som de um beijo jovem, em anos.
O meu peito era farto em força e cheio de sol, agora, o nada é branco e fraco.
Os dois que vejo em você se separa entre ideias e conceitos, adeus.
Adeus memória, meus ouvidos não são os mesmos, não entendemos adeus, só o agora.
Estou velha, não morta.
Estou aqui, viva.
Meu peito chia, minhas pernas tremem, mas minhas memórias, minhas memórias são nítidas. Não leve, deixe, é meu então fica.
Agora, na cama, na grama, na maca ou no teu colo, para sempre jovem, o espírito é livre. A alma é jovem.
