A imortalidade do meu nome não está em hieróglifos, não está em papiros e muito menos em pergaminho.


Essa ideia de imortalidade ao qual se apegam tanto, é tão irrisória quanto boba.

Daqui a há mil anos, quando morrerem, daqui a cinco anos, quando se destruírem, daqui os anos, quando nos esquecerem.

Essa ideia, de imortalidade, ao meu nome, não irão esquecer.

O sorriso de quem quer que seja, essas pedras, por quem quer que as tenham retirado.

Daqui há mil anos, será mesmo que irão esquecer?

Essa imortalidade, ao qual se almeja, esse sonho, ao qual intrinsecamente se desejam. Será mesmo, que vão se lembrar?

Daqui há mil anos, iremos viver?

Não se importe, se daqui sessenta anos, o seu bisneto, ao ser questionado, não saber o seu nome.

Não se importe, se daqui há cem anos, o seu tatareno não lembrar o nome do seu amado filho.

Será mesmo que não iremos sucumbir ao esquecimento?

Daqui há quantos anos não terão se lembrado do que hoje já não me lembro mais?


Uma resposta para “A imortalidade do meu nome não está em hieróglifos, não está em papiros e muito menos em pergaminho.”

  1. A pessoa, ou personalidade objetiva, não é mais do que uma máscara (do latim, persona). É a entidade assumida por um organismo de carne, este formado a partir de memórias contidas no DNA.

    E é no DNA que todas as pessoas (máscaras) sobrevivem e se imortalizam, é ali que está o conteúdo do Inconsciente Coletivo.

    Portanto, sim, sobrevivemos em nossos descendentes, ainda que não em nossas personas, mas em outras derivadas de nós.

    E é por isso que a redução da natalidade é tão trágica para a humanidade. Não apenas significa, no médio e/ou longo prazo, a extinção da espécie, mas também o congelamento de nossas memórias sobreviventes, condenadas a ficarem confinadas em servidores de computadores.

    Ter filhos é, sim, um ato de amor. Não de uma persona por outra, mas pela própria Humanidade.

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