Abelardo voltou. 


Se essa não é minha história eu não me chamo Maria.

Não me chamo Maria.

 

Fiquei parada olhando aquilo que os meus olhos fitavam.
Desde quando fiquei presa nessa imersão distópica entre minha vida e a sua?
Regi meus lábios num balançar de vai e vem, dizendo palavras que fincavam dentro de mim e saiam.
Ou você, ou eu.

Alguém me disse, certa vez que a vida é um karma, ou é a regra dos três, tudo o que vai volta, tudo o que você faz para o outro volta pra você três vezes.

Corre, corre entre o sopro da minha morte, desde o momento que você me prendeu até o suposto momento que me soltou, mas por quê ainda estou aqui?
Alguém mentiu, e não fui eu.

Não vou te machucar, disse certa vez suas palavras vazias.
Entre eu e você estamos igualmente corrompidos.

Teu beijo chora, teu fantasma me implora.
Mas já foi, tudo o que somos se foi.

VENHA!

VENHA!

VENHA SEU MALDITO FILHO DA PUTA.

E tudo o que eu digo é:

Implora. 

Tua tirania me prendeu nesses braços com cheiro de amor falsificado, eu devia saber, no momento que fiquei, já não é noite, é dia e eu encontrei.

Corre, e tudo o que eu fiz foi ficar.


2 respostas para “Abelardo voltou. ”

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