Âncora do homem no mar.


Chega dessa irreal ilusão. Sombras, sombras. Ora homem, quem é você para se colar num buraco e se prender?
Use tua força, saia de si mesmo,
levanta-te.

Chega dessa mulher que tem os lábios rosados que me diz oferecer sobre eles o mel mais doce. Ora homem, qual sabor do mel, só conheço os dos lábios dessa mulher!

Infelicidade, felicidade desconhecida descobri sobre a terra molhada.
Cheguei a semente, meu caro, ela germinou, ela cresceu e se formou.

Levante-se já dessa cadeira feita de madeira escurecida. Quantas história ela já viu? Quantas estórias já escutou?
Honra-te, faz teu nome crédito ao sexo, homem.

Quantos ursos matou a grito, aja, homem, voz tão profunda.
Fingiu isso tudo? Qual teu sustento?

Estou perdido no mar há dias. Lembranças? Lábios me dizendo que nunca provarei sabor de mel tão puro quanto os deles.

Venha até mim homem. Faça alguma coisa, pegue o remo, temos histórias a contar, tu lábios a conhecer e eu a relembrar.

A noite está fria? Finja que escuta o cantar suave e quente de sereias. Quem sabe em olhares tão famintos tu reconheça tua mulher que na verdade é teu amor perdido em terra seca.

Bebo dessa água salgada como quando bebo das minhas lágrimas num choro.
Vamos homem, anima-te, somos sobreviventes dum náufrago perdido.

Sereias não existem meu caro, deixe que nossos monstros fique no mar.
Hoje depois de salvo, tenho lábios de mel a relembrar.
E tu, talvez, tenha algum rosto de sereia a rever.
Vamos homem, somos sobreviventes de nós mesmo.

Quem diz conhecer sombras nunca esteve entre ele.
Sabio homem o que disse
“Mar calmo não fã bom marinheiro”.
Quantos náufragos se faz um homem sem medo?
Hoje não quero descobri, em meio a tanto sal tive saudades do doce mel.


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