Ao olhar para o norte meus olhos explodiram em lágrimas quentes.
O sol me absorvia e deixava dentro de mim um gosto de casa, de chuva, de terra, de risos, suspiros, amores, abraços, sonhos, esperança.
Mas era o crespúsculo.
Quase já não era dia.
O vento marítimo levou tudo embora, nesse momento senti o sal nas lágrimas misturados com as águas do mar.
O escuro do céu, o peso da chuva, o frio do ar. Meu coração era só rochas desgastadas pelas ondas do oceano que rugia contra meu rosto despedaçado.
Levou o calor do sol.
Trouxe o frio do mar.
Levou o laranja do céu.
Trouxe a escuridão da noite.
Me deixou inerte no barco sem ter pra onde remar.
Dentro de mim o vento rugia, os trovões estrondosos tocavam em sintonia com as cordas da guitarra.
Era eu e minha música sombria.
Eu e minha escuridão.
Era eu.
E ainda é.
Mas já não sei quem.
Dentro de mim ficaram essas lembranças como o final do sabor depois de horas que se tenha tomado café.
A bateria ruge em sintonia com os raios.
Começo a remar, nesse momento vejo uma ilha.
A ilha da queimada grande.

5 respostas para “Antes de entardecer ainda é dia. ”
Hey, you’re the goto exeptr. Thanks for hanging out here.
Sorry to ask you this, but do you understand portuguese? I’m really curious about it
Uma ilha rodeada de possibilidades marítimas por todos os lados
Verdade, essa é uma ilha brasileira cheia de cobras venenosas..
eita