Ao final do dia, todos nós estaremos juntos no mesmo lugar.


Arde-me os olhos encarar muito tempo a escuridão.

Deixar fechado e desvendar o céu infinito que há por detrás das pálpebras.

Os pontos brancos dançam diante a cacofonia de vozes minhas na mente inquietante, como um barco em ondas turvas, numa tempestade escura.

Ainda é noite, cortei o dedo e nada saiu.

Nem sangue e nem lágrimas.

A pele rosada, antes vívida, agora é seca. Conforme o tempo passa me torno mais.

Sinto a textura áspera de minha pele escura, sinto milhares de pernas subindo e descendo pelo meu corpo. Sinto o chão úmido cobrindo as minhas raízes.

Sinto o vento.

Os olhos que encaram o mundo são côncavos e vazios. De plenitude me encho, de sentimento, consumo.

Ao meu lado, alguém grita. Chamas cobrem o seu corpo, estalos da matéria queimada. O corpo é massa, o oxigênio é combustível, o fogo é vida, que toma.

Encaro a infinitude por trás das vozes altas que me cegam para o mais. Sinto o calor ao meu redor me confortando.

No alto, bem no alto ouço um piado.

Enfim, nasceu, no ninho do rouxinol, dão bem-vindas ao cuco.


Uma resposta para “Ao final do dia, todos nós estaremos juntos no mesmo lugar.”

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Ester Lima

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo