Aqui, nesta cama, jaz uma alma. 


– Onde estou? – O céu estava azul, o sol era quente e suave. Na água do mar histórias iam e vinham em formas de ondas ora suaves, ora selvagens. O dia começou independente dos problemas existentes e assim acabará. 

– Por favor, alguém me diga, onde estou? Ao redor daquela alma que andava sem rumo e sem saber ao menos o nome as pessoas continuavam andando. Os sentimentos presos naquele corpo imaterial se prendiam de tal forma como uma âncora fica presa no fundo do mar. Mas e se o fundo for muito longe? Quanto tempo demora a puxar? 

Voltou a mergulhar nas profundezas escuras em meio aos corais, aos tubarão, as vidas invisíveis, visíveis, pequenas, grandes. Voltou a entrar no navio comido pelo tempo, antes navegava e agora era navegado. 

– Onde estou? – As profundezas se emaranhavam em volta do corpo imaterial e puxavam de volta ao seu lugar. Um esqueleto se desintegrando, um anel de joias eterno, um coração que há muito tempo fora comido pelos bichos. Agora? Agora só resta a alma. Que belo lugar para se morrer. 

E eu? Ficarei presa há todo tempo eterno na cama? 


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