As estranhezas da vida são perpétuas no tempo. 


Pensei com a boca aberta e o pensamento escapou. 

Voou até as entranhas da terra, no núcleo do mundo, do outro lado do planeta até o seu travesseiro. 

Você escutou. 

Foi um sonho, você disse. 

Quem é essa que pensa assim? 

Mas e se os sonhos são só desejos obscuros de outras pessoas que passam numa rede sem fio? 

Pensei com a boca aberta, meu olhar me denunciou, viajou pelos ventos da Terra até entrar no teu ouvido. 

Você ouviu. 

Quem é essa que canta tão mal? De onde vieram essas ideias banais? 

É ela e ela sou eu. 

Quem é você que escuta meus pensamentos? Lê minhas mãos e escuta meu coração? 

Se for outro mundo, outra Terra e outros povos eu diria com toda certeza da vida: o meu cachorro que me olha como se entendesse cada suspiro que dou. 


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