– Onde você está?
– Tentando dormir, qual é Manu. Isso não é hora.
– Ele me expulsou.
– O que?
– Meu pai. Me expulsou.
– Droga, sinto muito. O que vai fazer?
– Não sei, ele me ligou pedindo desculpas, amo ele, mas não volto.
– Sinto muito. Vou dormir, amanhã cedo eu tenho que trabalhar.
– Posso ficar com você?
– Acho melhor não. – A voz de Hortênsia estava no fundo, bem no fundo. Com tanta dor dentro de si, quase que Manu não escuta.
– Foi por você que sai de casa. Você está me abandonando.
– Olha, eu não te pedi nada. Eu realmente tenho que dormir. Boa sorte.
Hortênsia desligou, Manu ficou deitada em sua cama, não sabia o que fazer, o telefone mudo em seu rosto estava molhado. Como doía tanto assim?
Ela acreditou que a sua Índia mestiça fosse diferente. Ela acreditou nela. E ela, a pobre Manu, a que tivera capacidade de amar outra mulher que sofreu as consequências.
– Manu? Venha jantar! – A voz da mãe veio do fundo, de onde se encontrava as outras vezes.
– Dói tanto, dói tanto. Como posso suportar? – Fechou os olhos e tentou abafar o sapo que estava preso em sua garganta.
Dormiu.

