Passei esse batom na esperança de disfarçar esse vermelho em meu rosto.
Os meus olhos inchados me contam a história de uma louca. As palavras que saem já são outra estória.
Pintei de vermelho, combinando com meu coração, totalmente destroçado, sangue para todos os lados.
Feche os olhos, não conte mais mentiras. Mas você está longe e não escuta. Não escuta o meu som.
Chega, chorar não adianta.
Por um momento distinto eu escutei o seu som. Veneno que embriagou minha dor.
Escutei as mentiras que você me contou. Acreditei. Acredite, acreditei porque sabia que eram falácias.
E agora? Meu pilar rachou, estou desmoronando em cima de mim. Ontem mesmo cai dá cama.
E agora? E agora essa falta de ar? Esse peito que chia, essa vastidão sem fim?
Do seus lábios sorrindo eu vi os meus copiando, um espelho que pulsa, uma alma que chora.
Tomei meus remédios, mentiras.
Estou tão fraca, parece que fumei todos os teus cigarros. Mas juro, nunca peguei nenhum.
Minha pele se foi.
Meu corpo já não suporta, todos os dias me manda recados, cada um deles assinados: várias pelotas.
