As pernas abertas, presas em sua própria História.


Tentáculos viscosos a prendia com suas ventosas e os seus gritos, silenciosos, eram ofuscados pelas lágrimas. Líquido ininterrupto que saia de seu corpo, em forma de água do mar.
Afogue a Criatura, Mulher!
Ou ela te afogará!

De dentro de si, saiu uma luz.
Ela deu a luz?
Ela respirou e gemeu, o único som que escapou.
O que pariu não era seu.

O riso, levado pelas ondas,
carregado para longe,
embalando aquilo que nasceu.

A criatura, fazia de suas pernas morada,
de seu peito, cama
de seus lábios?
o que de seus lábios?

O que?
Eu não te ouço!
Grite, mulher.

Ao invés de chorar, fale.
A água de seus olhos é a água do mar.
Você, vítima e mãe, da própria Criatura.


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