Irina era uma pessoa estranha. Seus passos suaves faziam o chão vibrar, tamanho seu conhecimento.
Sua voz era quase insonora, não havia o que fazer, além de chegar pertinho daqueles lábios murchos e rechonchudos.
Os olhos eram tão pequenos que nunca se sabia a cor de suas írises.
Quando se sentia um vibrar no corpo que se sacudiam os dentes, já sabia que Irina havia chegado.
Ela dizia,
—
E para escutá-la se olhava os lábios, que mal se mexiam, colocava o rosto próximo ao dela, até que as respirações se misturavam.
E ela dizia,
—
Durante horas falava e falava e falava.
E todos ao seu redor escutavam.
— Que loucos são esses? Se juntam ao redor de uma mulher baixinha, tão magra que faz Olívia Palito parecer uma modelo plus size, e nada se escuta?????? É um ritual satânico? Pagão? Experiencia Cientifica? Uma demonstração artística?
Esse homem grita tão alto que parecia um sopro de vento forte na direção dos acólitos de Irina.
Todos o olhavam com os olhos arregalados de tal forma que pareciam o nascimento de uma supernova.
Um deles, lá entre todos, ao lado de Irina, abriu a boca e disse,
— I R IN A
E
ST
Á FA
L
A
ND
O.
Mas o idioma era outro, as palavras tão esparsas que se perdeu ao vento. Aquele homem foi embora gritando, mas ninguém o ouvia, porque Irina voltou a falar, suas palavras de sabedoria,
—
Assim, todos continuaram fitando os lábios rachados e rechonchudos. Os passos suaves vibraram o mundo.
