-“Um verme saiu da sua boca.
Seus olhos pularam das órbitas.
Seu corpo se tornou pó.
E ainda dizem que somos pó lunares.
Nós vermes e seres abomináveis.”
– Muito bom, a eloquência está excelente. Agora me diz, quando você recita “Um verme saiu da sua boca“, poderia o autor, está afirmando que as palavras são os vermes?
-Não.
– Certo, mas por que você acha isso?
– Acho que ele diz que ele está morto mesmo. Os olhos saíram da órbita, o corpo se tornou pó. Isso é tudo a morte. Acho que ele está morto.
– Não poderia ser a alma dele?
– Sim.
– Muito bem. Leia a outra parte.
–“Há muito tempo amei.
Quando a vida era simplesmente vazia.
Ela se encheu de cor.
Quando tudo era mentira.
Ela trouxe o bálsamo do amor.
Quando o céu era escuro,
Ela trouxe chuva branda para meu coração.
Mas ela se foi.
O mundo se tornou um cemitério.
Minha alma vaga até hoje.
Eu comi o seu coração.
Eu queimei o seu cérebro.
Mas a minha dor ficou. “
– Acho que é o suficiente, agora sabemos o que ele sentiu. Enfim, me pergunto. O amor é dor ou é felicidade? Todos que amam depois sofrem. Será mesmo amor?
– Lógico, amor de um homem só.
– Amor de quem não pode dizer o que sente.
– Amor platônico.
– Vocês estão certos. Mas não seria a outra pessoa má? Por saber que ele a ama, mas ela não se importar?
– Ela pode não saber.
– Pode ser que ela saiba, mas finge que não, para não o magoar.
– Ela gosta de se sentir amada mesmo que não o ame.
– Então quando ele diz que todos somos seres abomináveis ele está certo.
– Há quem ama de verdade.
– Sim. Mas quem garante para nossos corações solitários e egoístas? No final deixamos todos ir embora, e se não deixamos eles vai assim mesmo. Nossa alma morre.
-….
Ester Sousa.
