Cartas jogadas para fora de um barco para o mar lamber. 


Toda vez que me pego escrevendo estou no escuro, mas se for somar 1+1 eu estou sempre no escuro.

Desde o útero até minha velhice, até ontem estou e até onde vou. O escuro. 

Claro, devo dizer que desta vez não vim escrever para mim, se não para o meu eu que é você. 

No fim, somos os mesmo, corpos de um mesmo corpo celeste. Bocas de mesmas bocas cheias de germes. Bactérias de um mesmo corpo universal. 

Fechei os olhos, por um instante me dói dizer tudo isso o que eu digo. Por um instante o tempo não é uma linha ou até mesmo relativo. 

Minha vida tem esse ciclo finito que sempre esbarra na sua, aí do outro lado da tela onde teus olham essas letras que formam essas frases e se faz poesia. 

Nunca, ninguém me viu mais nu. Porque a alma é mais pulsante que o corpo, o que nela mostra há vergonha, felicidade ou até mesmo dor, e vou além, há o nada. O vazio que todos têm, alguma preenchem, alguns ficam, alguns vão. Já o corpo nu, a pele em pelo, o cheiro, o cabelo. Isso não é vergonha mostrar, barriga lisa ou caída, as estrias ou celulites. Já a alma, ela é má é boa, é pura e corrompida. 

Falei muito? Não. Ainda está escuro, ainda choro, ainda grito. Meu mundo está alicerçado em sepulturas não preenchidas. Minha e sua. Nossas mãos estão dadas nesse amor infinito. 

O que é amor? 

Para cada um, um suspiro. Ninguém sabe, alguns fingem. Outros tanto entende disso que se partem em várias partes e se vão. Vão. Vão. 

Ainda estou aqui, ainda está escuro. 

Ainda sou eu, e você é você. 

Minha mente é minha. A voz é sua, as palavras nossas e agora você viu tudo o que tinha de ver. 


5 respostas para “Cartas jogadas para fora de um barco para o mar lamber. ”

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