Ele bateu o copo na mesa, queria o estilhaçar entre os dedos, mas o pensamento da sensação da dor foi maior. Desistiu. Colocou a mão no rosto e começou a chorar, chorava como criança. O gosto da bebida era ruim, não queria beber, mas beber o fazia dormir. Ele deu mais um gole e esse foi o tiro disparado para o grito solitário de um homem desolado. Ele jogou o copo na parede, queria apenas dormir. O por que da tristeza? Nem ele sabia, era maior que ele, já não queria viver, dormir virou o legado de sua vida.
Ele se levantou, fechou toda o quarto e fechou os olhos, deu outro trago e suspirou, não havia nada pra fazer só chorar e chorar já não adiantava, ele resolveu ligar para a emergência.
– Tentativa de suicídio – ele diz com a voz embargada, passou o endereço e deixou o telefone caído. A única testemunha de um crime perfeito do mundo contra um bom homem foi a atendente da emergência. No quarto já não havia choro.
