Eu sinto que alguém está puxando meu estômago.
Colocou um gancho na ponta de uma isca.
Me puxa, puxa.
Eu, inocente, fechei os olhos no escuro e imaginei que fosse noite, mas já se tornou dia e meu sono não veio.
Ficou com os sonhos.
Meu estômago, que tinha um gancho, se foi, para o relógio da minha mente.
Que corre num ritmo que só ele entende.
Revira o intestino.
Ansiedade é o nome.
Deitei no silêncio que o ventilador me proporciona, de resto é barulho e incomoda.
Fecha os olhos e sonha.
Fecha os olhos e morre.
Um pouco de cada vez, a vida não é longa.
Na minha morte-vida há vida, não se engane.
Estou parada no mesmo lugar com o puxão no estômago.
Minha ânsia.
Meu desespero.
Mil coisas e a cama.
O sonho sem sono.
O sono sem sonhos.
Minha ansiedade, mais uma vez, ganha.
