Da janela do quarto a cortina se mexe.


Eu sinto que alguém está puxando meu estômago.

Colocou um gancho na ponta de uma isca.

Me puxa, puxa.

Eu, inocente, fechei os olhos no escuro e imaginei que fosse noite, mas já se tornou dia e meu sono não veio.

Ficou com os sonhos.

Meu estômago, que tinha um gancho, se foi, para o relógio da minha mente.

Que corre num ritmo que só ele entende.

Revira o intestino.

Ansiedade é o nome.

Deitei no silêncio que o ventilador me proporciona, de resto é barulho e incomoda.

Fecha os olhos e sonha.

Fecha os olhos e morre.

Um pouco de cada vez, a vida não é longa.

Na minha morte-vida há vida, não se engane.

Estou parada no mesmo lugar com o puxão no estômago.

Minha ânsia.

Meu desespero.

Mil coisas e a cama.

O sonho sem sono.

O sono sem sonhos.

Minha ansiedade, mais uma vez, ganha.


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