Em casa, na rua, onde se foi meu lar de pernas longas?


Eu senti isso ontem novamente.
Eu não devia, mas eu me seduzi pelo reflexo que produzia.
Em casa meu pai está deitado na cama, minha mãe tentando esconder as marcas do corpo.
Pra que guardar isso tudo?
Pra que esconder isso tudo?
Pra que não deixar tudo levar?
Não é que eu não quero resistir.
Não é que eu quero parar. 
Não, não quero.
Quero mais, e mais, e mais.
Quero um trago, quero injetar.
Não é que eu pense em morrer.
Mas é que em casa não tem nada pra comer.
Me dá um beijo querida morte.
Eu vou provar para você que eu posso viver.
Que eu vomite todos meus sonhos, toda minha segurança.
Que eu vomite tudo o que eu queria ter e o que eu tenho.
Que eu seque, definhe.
Que eu crie coragem e possa morrer.
Mais uma vez eu vou beber, fumar, injetar. 
Que eu escolha. 
Que eu possa não ficar com marcas roxas. 

2 respostas para “Em casa, na rua, onde se foi meu lar de pernas longas?”

  1. Caramba ! É a grande letra de um dos melhores rocks jamais escritos, talvez por Patti Smith.

    Nunca achamos que fosse possível fazer isso em português.

    O grande talento consegue transcender até mesmo as limitações da cultura, da própria gramática.

    • Quando eu o fiz eu senti a melodia nas linhas, sabe? Eu vivo fazendo isso, eu amo música então toda vez que escrevo eu sinto um instrumental, meio que um post rock no fundo, ou qualquer tipo de música que case com a letra que vem das linhas dos meus dedos e de dentro do coração.
      Eu fico na esperança que alguém leia e sinta a música que eu senti quando escrevi.
      Continue sentindo! Abraços.

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