Há dias piores que os outros, hoje, por exemplo, eu sonhei com você, sonhei com o antes e o agora se sobrepondo, um sonho de tal lucidez que me fez crer na veracidade incontestável daquele momento, por mais que parte de mim se perdeu durante o decurso do tempo em que o sonho se passava, o antes e o agora era tão real e ao mesmo tempo tão inacreditável que eu não quis acordar, porque eu sabia que aquilo não era real.
Engraçado, que a falta aparece em momentos mais fugazes, eu trabalhando e querendo mostrar algo, eu com dúvidas e querendo discutir, eu com conquistas e querendo brilhar. Nesses momentos, eu penso com convicção, que a falta que faz é imensa, é gigantesca, é indescritível, porque não há palavras no mundo em que eu possa demonstrar ao outro a falta que um pai faz. A não ser, claro, que você, caro leitor, também sinta falta de alguém, então a sua dor, a minha dor, a nossa dor, é mútua, mesmo que de formas e tamanhos diferentes. Afinal, isso não torna tudo mais empático? O sentimento compartilhado?
Quando sinto tanta falta, ao ponto de me perder e preferir esquecer, eu esqueço, mas me vejo no espelho e te vejo, eu dou risada e te escuto, eu converso e te ouço em minhas palavras, trejeitos e voz. Então, eu sorrio. Aquele sentimento de saber que não está mais aqui de forma física, mas permanece nas lembranças, deixa um calor no peito, deixa um sabor na boca, deixa saudade.
O tempo é meramente um pano de fundo nesse momento, porque não consigo discernir entre o agora e o depois quando penso no passado, eu só sinto, e onde podemos medir o sentimento?
Á vocês que perderam, paz, aos que não perderam, não desejo que percam.
Abraços.
