Entre o Espelho e Eu.

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Há um longo corredor, escuro e estreito, que liga minha mente com minhas entranhas.

Sinuoso e irregular, me faz subir, descer, parar.

Me perco entre os espaços e as janelas que nele há.

Onde olho vejo pessoas, de todos os tamanhos, idades e semblantes.

Que longínquo corredor, que me faz andar e dar voltas, sem sair do lugar.

Não há água nesse lugar, não há luz, sol, não há nada que habita nele, além de mim e minhas sombras,

– Ei, você! – Eu grito para uma qualquer que está entre os pilares, se escondendo e observando.

Ela olha, sorri e corre.

Eu a sigo, gritando,

– PARE!

Ela ri e ri, e roda, dá voltas, pula, se joga. Depois me olha, com seus profundos olhos escuros, cheios de redemoinhos e segredos.

– Siga-me, sou a Loucura!!

Eu, como tola sou, a segui e aqui estou. Não há portas, nem janelas, não há andares e muito menos pilares, nesse novo lugar.

Para onde ela vai, eu vou.

Aonde irei parar, não sei, já me perdi há tanto tempo que deixei de importar.

E minha mente e minhas entranhas, se contorcem e se distanciam, cada vez mais.

No fim, só minha irracionalidade me acompanha.

Com olhos vazios, escuro e sombrios, cheio de redemoinhos e segredos, eu sorrio, enquanto me fito no espelho.

Afinal, Quem sou eu?


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