Escambo entre cavalheiros.

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– Porra , cala a boca. 
– Calar a boca? Você sabe com quem tá falando seu verme?
– Verme, quem é você? Minha mãe?
– Olha cara, eu realmente preciso de ajuda.
– Você não sabe nem falar em voz baixa. Precisa é de uma instituição de doentes mentais. Não sabe falar baixo caralho.
– Preciso de ajuda. Eu pago. 
– Paga? Quanto?
– Duzentinho.
– O que? Isso tudo? Você não quer uma simples questão né. Cara, vai se fuder. Com que acha que eu mexo? Drogas? Eu fumo um cigarrinho , mas não mexo com drogas. 
– Olha pra minha cara, acha que quero drogas? Você que precisa de um psiquiatra. 
– Foda-se .  Não vou vender. 
– O que? Mas você vendeu pra todo mundo!
– Mas não quero vender mais, é difícil entender minha língua? Capiche?
– Você nem sabe falar direito italiano, seu imbecil.
– Fazer o que, língua nunca foi minha praia.  Gosto mesmo é de números. 
– Ok, acho que posso trocar com você uma coisa boa. 
– O que?
– O dragão branco de olhos azuis. 
– Por uma prova? Quanto você precisa?
– De muito. 
– Muito quanto?
– Vinte. 
– Fechou, passa a carta. 
– Primeiro o gabarito. 
– Acha que sou trouxa mané? Passa logo a Porra da carta. 
– Aqui. Agora o gabarito. 
– Vê se esconde bem essa merda. Se alguém ver não fui eu. 
– Você não tem cara de nerd.
– Nem você de burro. 
– Se eu não fechar a prova eu quero a carta de volta. 
– Vai por mim cara, não adianta ter a faca na mão se não sabe cortar o queijo.  Agora some. Eu sei que não ia me dar duzentas cartinhas mané. 
– E nem que você não vende drogas. 
– Tanto faz. 
– Tanto faz. 

Ester Sousa.


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