Estações da vida.


Eu estava parada em um estacionamento de supermercado aguardando meu marido voltar das compras. Esperar não é algo que me incomoda, pois sempre carrego um livro ou assisto algum vídeo no celular. Até que me deparei com um vídeo falando a respeito da morte. A forma como cada um lida com a morte é muito individual. Me lembro quando em 23 de outubro de 2020, meu pai morreu, no auge da pandemia. Eu demorei uns 2 anos para lidar com a morte dele. Eu ainda me pego, às vezes, lembrando de algo e querendo pegar o celular para fazer uma ligação. Ou às vezes o meu irmão me liga e quando fala o primeiro “alô” eu ainda acho que é meu pai, naqueles milésimos de segundos. Hoje eu convivo normalmente com o luto, como tudo aquilo que me faz mal, eu engaveto e evito pensar, ver fotos, relembrar.

Há uns meses minha tia perdeu a mãe, uma senhora de mais de 80 anos que era uma das mulheres mais inteligentes que eu já conheci. Falar com ela era como dar vida a um livro de história, cultura e conhecimentos gerais. A perda dela foi dolorosa, mas ao mesmo tempo passageira. É incrível o quanto o luto é individual para cada um. A forma como as pessoas lidam, como enfrentam, como passam. Para mim, o sofrimento maior foi quando meu pai morreu, foi repentino e doloroso. Para minha tia, talvez foi quando a mãe dela morreu, ou até mesmo o filho que também se foi há uns anos atrás.

Eu estava parada naquele estacionamento e vi uma árvore com a copa cortada, mas continuou a nascer folhas em seus galhos. É assim a vida, umas partes se vão, outras ficam. Algumas morrem, outras florescem.

A morte é misteriosa, mas é concreta. A vida é muito mais estranha. Aprendemos a conviver com essas dores agoniantes, até que um dia já não dói constantemente.


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