Foi tudo durante um sonho, quando meu corpo se transformou só em corpo e minha alma voou.
Eu fui em vários lugares, visitei estranhos, em outras épocas, vi as guerras, dos índios na floresta, me transformei em uma revolucionária e por isso fui queimada pelo fogo que lambeu a água, lambeu as árvores, lambeu o mato, a flora, a fauna. Lambeu minha pele, roeu meus ossos, levou meus gritos e foi embora.
O meu corpo abriu os olhos, mas não se mexeu, eu estava presa, vendo outra coisa, em outro lugar, minha alma longe e meu corpo só, doeu. Eu tentava olhar em volta, tentava me mexer, levantar, gritar, nada. Sem minha alma, meu corpo está só.
Foi há muito tempo atrás, quando um amigo meu me disse, que ia morrer. Na época eu não entendi, ainda hoje ainda não entendo. Mas antes de ir ele me disse que eu era um anjo, na última evolução aqui na terra, pronta pra ir. Não ia por causa do amor, amava tanto os humanos que ficava. Então, então é por isso que sofro, o amor é uma droga que me mata aos poucos.
Dessa vez eu sonhei que estava no dentista, ao fazer um raio-x descobriu que eu tinha dois tumores, um atrás do nervo óptico, esse era mortal, maligno por natureza, impossível de tirar, só tratar. O cafajeste me disse isso sorrindo, como se estivesse me anunciando uma promoção e me disse ser a ganhadora. E o outro? A-h, o outro, estava perto dos dentes, super fácil de tirar, e por sorte era benigno. Que ótimo pra mim, yup!
Eu morri naquele momento, ao anúncio de minha morte prematura, estava morrendo por dentro, todos os dias um pouco, todos os dias carregava meu assassino, o banhava, o alimentava, o divertia.
Sofri, sofri. Até acordar. Meu corpo não se moveu, fiquei presa dentro da minha mente por quase uma hora, meu coração sambava, samba, corre, perde, ganha. E eu olhando a coberta, a janela, o guarda roupa e nada de mexer ao menos o pescoço. Estou ainda com essa sensação, acabei de acordar e quase que não me mexo.
Percebi que era um sonho, mas acho que é um aviso, um aviso de que é real. Desde criança, antes dos 7 anos eu já sabia que morreria jovem, na época minha data de morte tinha data e era aos 13 anos. Hoje estou com 21, fico esperando ela vir me abraçar, depois desses sonhos, e de a certeza de ter outro nódulo no meu seio, onde já tirei um, só me faz crer mais. Estou morrendo.
Veio outro sonho, nesse eu estava no dentista, por quê? Havia perdido 7 dentes da parte superior direita do meu rosto, ao acordar a mesma coisa, os peguei, tão brancos, tão frágeis, tão frios, tão leves. Na gengiva, os buracos, no sorriso, o vazio. A solução? Era os parafusar, com dor, sem antesia. Olhei tudo, olhei em volta, onde estou? Presa. Presa. Estou presta, morrendo. Morta, vivendo.
Será que meu amigo estava certo e eu viajo para outras partes quando durmo? Será que eu apenas vi o anúncio de morte de outras pessoas? Ou será um presságio? Eu vejo o futuro?
Estou morrendo um pouco, todos os dias, agora. Com medo de ir ao médico, com medo de por a mão no meu seio e sentir o enorme caroço, rindo de mim, sendo gerado por mim e no final eu não pegarei nada nos bracos e direi que o amo. Só a morte, morte. Não amo tanto assim os humanos, são tão maus, tão cruéis, tão cheio de ódios… Foi por isso, por essa falta de amor que eu recebi minha sentença de morte.
Morte.
Mor
Te
T
Es
T
e
R
Mor
Ta.

9 respostas para “Estou gerando meu assassino? ”
Uia. Denso, denso, denso
Tão denso que sufoca
É daí que nascem as canções.
Uma pena que nunca soube cantar e toda vez que tentei aprender piano, teclado e órgão eu falhei.
Foi uma escolha, como tudo. Mas assim mesmo, as tuas canções nasceram.
Que lindo isso
Foi você quem fez, querida. Eu só escrevi.
Aproveito para dizer que te indiquei para o prêmio The Versatile Blogger Award.
Veja a indicação no meu blog https://poemasempretoebranco.wordpress.com/.
Parabéns pelo seu blog.
Milton Cesar
Muito obrigada! Uma honra ser indicada! Assim que eu conseguir um tempo eu faço minhas próprias indicações. Até!