Era um azul índigo, como as veias de teu corpo, que criam um caminho para os meus dedos, meus dentes e língua.
A luz banhava-nos como uma película fina e gelada. Causava arrepios em nossas peles, que entrelaçadas se esquentavam no silêncio que apenas os quartos detém.
Teu peito largo e firme,
me ampara,
comigo em cima.
as mãos apertando,
sem ao menos dar um só suspiro.
Está azul de doença? Está azul cadavérico?
É a luz que nos ilumina, no quarto escuro e frio, uma fresta nos presenteia.
O aparelho do ar condicionado sussurra: está frio.
Se fadas não existem, me explica de onde vêm todo essa explosão, que parte do meio de meu corpo, desce pelas pernas, sobe pelo tronco e some pelos dedos?
A luz agora é outra, parte de dentro de você, é branca, meio fosca, é densa.
É vida.
Estamos deitados, lado a lado, cada um em um universo à parte. Ou seríamos como planetas irmãos? Estamos orbitando ao redor de nós mesmos.
Por fim, surge lentamente o vermelho rubi.
Se emaranhou em seu azul índigo e se tornou o escuro que nos cobre.
Ao amor, que não é o acaso e nem paixão.
Fulgor.
As luzes piscam e somem, retornam e iluminam até que tudo o que resta é a falta dela.

