Há uma corda que me prende pelas pernas e percorre quilômetros de distância até os seus dedos.


Vídeo do universo.

O medo se infiltrou pelas minhas veias, e aconteceu o pior: manchou a minha esperança e estremeceu os meus sonhos. Agora, dando passos pesados, me firmo no chão, balanço os braços e procuro apoio.

Estou sozinha observando a poeira dançar na fresta de luz, procurando buracos por onde ela se permeia.

Aqui, nesse cubículo, eu sou eu. Sou sim, sou eu. Ou sou você?

Olha aqui nos meus olhos escuros, observa bem a constelação que foi criada em minhas íris. Você sou eu.

Eu, a que dou passos pesados, a que observa os cantos, que espirra com a dança dos ácaros.

Nós, entrelaçadas em uma, em água nos transformarmos, em céu nos banhamos. Deixemos que a brisa preencha os sacos de carne de nossas costas e deixe os nossos pensamentos oxigenados. Deixe que a gravidade leve o nosso corpo – meu e seu – até o luar. Ali, entre os astros, dançarei-remos. Rodopiaremos. Brilharemos. Explodiremos.

Somos estrelas.

Somos o pó que eterniza até que tudo se congele e o céu se quebre.

E eu, com o meu hálito quente, diante os seus lábios secos, sussurrarei: te amo.


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