Olhe pra mim tempo, que você não estará mais aqui.
Olhe para mim tempo, que hoje eu vou morrer.
Como eu sei?
O tempo que o tempo é você se esgotou na minha vida.
O tempo que o tempo sou eu resolvi desaparecer.
Me dê um adeus meu anjo cruel, se veste de camurça.
Me dê um tempo anjo sem tempo de me dar um beijo.
Me afoguei em tudo aquilo que eu dizia não afogar.
Escolhi, sabe, eu escolhi.
Meus braços roxos estão perfurados de minha condenação.
Sou meu próprio autor, me acusei, me acusei de viver.
Anjos não olham pecadores.
Voe para longe pobre morte, o tempo se esgota.
Ninguém quer ver um ser homem morrer sufocado no próprio pecado.
Sou eu o tempo sem tempo de viver.
Esgotei minhas energias nas minhas veias falidas.
Venha aqui anjo cruel, me dê um ultimo ultimato, eu sei que é o meu final.
Tenho vergonha da minha própria angustia causadora pelos meus vícios índigos de indícios de minha própria responsabilidade.
Venha até mim anjo cruel, carregue esse meu recado para o céu.
ó Senhor, perdoe esse pobre pecador.
