Joguei as malas para cima e me encarei no espelho. Como eu podia me olhar sem remorso pelo o que fiz? Matei um homem a sangue frio. Atirei sem piedade.
Minha garganta carrega uma pedra colossal e eu tenho medo de a abrir e sair aranhas, lagartas e besouros.
Sou um verme vivo que arrasta pelo chão cheio de arroz, o verme branco da varejeira. Eu quero ser o arroz. Mas sou podre.
Os olhos dele estavam frios, quase mortos, como de um defunto ainda vivo. Sabe que está na linha tênue da vida e morte, mas ainda quer ver.
Ele me via. Joguei minhas malas num canto e o abandonei. Arranquei seu coração. Sou má.
Sou má-ravilhosa. Fechei os olhos de prazer, tirei a blusa. Como meus seios são lindos, os acariciei. Fiquei excitada só de imaginar, ele morto, ele e a larva.
Me masturbei em pensamento, me amei em minhas mãos.
Sou cruel ao ponto de não amar.
Mas eu amei.
Amei um homem um homem morto.
Sou bipolar em dor.
Sou louca.
Sou nua.
Sou amante.
Volúpia.
Sou eu.

