O suor corria no rosto de forma que as pequenas gotas fizessem cócegas na pele morena. Ela abriu os olhos e seus longos cílios afastaram com o suave arfar o grãos de terra que o vento trouxe do leste. A boca rosada se mexeu, balbuciou algumas palavras e se fecharam novamente. A compreensão estava longe.
De costas se via a longa linha de seu corpo, as curvas de sua cintura, toda geometria simétrica de forma reunida e delicada. Ela se moveu. Os longos cabelos lisos se mexeram abrindo em um leque de pura maciez deixando o aroma de pêra no ar.
– Catarina. – Disse. Quem disse? Is nossos pobres olhos que sofrem de miopia, astigmatismo, hipermetropia e tantas outras doenças não nos deixa ver o que nem os olhos sãos não veem.
– Te esperei. – Não havia necessidade de falar o que o corpo já dizia. Ela sorriu e os seus generosos lábios se curvaram de uma forma que os deixava arredondados e ressaltava o buraquinho no queixo.
– Catarina – Ela não escutava. O corpo arfou, de um lado se via a noite e do outro o dia já se fora.
Agora ela não estava sozinha.
– Mon amor. – Brasil parisienses de forma que ela não dormiu na noite quente. Quem dorme nessas noites quando se tem amor pra dar e ganhar?
