Essa é a primeira vez que escrevo sobre mim. Ontem eu estava num bar e vi as paredes escuras me engolir, à princípio achei que fosse a cerveja misturada com whisky que tomei, mas depois vi que era só eu e minha dor.
Fui embora mais cedo com uma mulher cujo nome já não me lembro mais, apenas dos olhos vidraros, das linhas marcadas e do cheiro de perfume doce – odeio perfumes doces, ataca minha rinite.
Camisinhas jogadas, roupas amassadas e um “Me ligue depois, tenho uma amiga que adoraria participar” eu enfim estava sozinho com minhas paredes vazias. O meu corpo tornou a ser vazio ou talvez sempre fora e eu não percebi. Adiante homem. Adiante para a morte. Mas ela nunca vem.
