Massa.


O corpo cinza despendido de lado, andava de lado sem rumo ou força, um corpo despendido e caído. Uma fome que doía a alma, uma dor que não importa não me importa a dor, eu a suporto, não que eu goste. 
O corpo cinza destroncado caindo de lado, sem saber onde ir. 
Sem alma? A dor o consumindo por dentro, rasgando-lhe o peito, fazendo-o gemer baixinho, sua dor insuportável, seu corpo acinzentado, até onde pode suportar? Até onde pode andar? O corpo acinzentado também chora, anda devagar, no teu ritmo calmo, ele lamúria a sua dor. Chorando pela perda, pela dor que causou a si mesmo.
– Dói – ele grita, mas ninguém o ouve, ninguém quer o ouvir, cada qual com a sua dor. Ele olha pra trás e vê o corpo colorido, cabisbaixo, vidrado, com medo, com dor. O corpo olha outro corpo, um corpo feminino, sorrindo, feliz, esbelto e alegre, nos braços de outro corpo feliz. Então o primeiro corpo, o cinza, o triste, continua andando, não sabe quando voltar para o seu corpo material, a dor que está lá é mais forte que a sua própria, é uma só dor, ele, a alma, ele, o corpo. O corpo acinzentado está ciente do que fez, do que causou, da dor que transformou as lágrimas em amor, do corpo que ele tinha e o deixou o ir, o corpo, a alma, aquele todo, chorava lágrimas que não lhe pertencia, fora muito jovem pra saber o que era amor, era muito jovem pra saber que corpos e almas também choram, era muito imaturo pra saber que corpo quando chora manda a alma embora e ela vire uma massa acinzentada e destroncada que anda sem sentido, só quer ser livre da dor que o remói, o corrói. É apenas uma dor, ele, a alma, ele, o corpo. 

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Quem dera se pudéssemos desprender essa dor de tormenta e deixá-la correr livre fora do corpo. Quem dera…

 


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