Estou lendo um livro (O perigo de estar lúcida – Rosa Montero) e em dado momento me veio um sonho onírico, ao qual eu sabia ser importante anotar, mas com o sono tão pesado quanto um cobertor de pelos, não conseguia abrir aos olhos e escrever a respeito. Estava presa entre o acordada e o dormindo, presa tão profundamente em que não conseguia me mexer.
Agora, como fantasmas, vejo duas meninas ou mulheres, não sei, que me olham de longe e com seus olhares acusadores me dizem, sem mexer os lábios “você nos deixou morrer”. E matei, mais uma vez aqui, confesso, as palavras que poderiam ser, juntas em um conto, a história daquelas meninas, ou mulheres, não sei.
Matei a ideia, por omissão, as deixei morrer.
Porque, não é, não mais, do que a vida, criar e dar cores, quando escrevemos palavras e delas se nascem pessoas?
Você saberia dizer, realmente saberia dizer, se algum personagem de livro que já leu, não é uma pessoa que em outra vida conheceu?
Aqui me coloco como assassina confessa, nunca mais poderei contar a história incrível em que aquelas meninas ou mulheres, não sei, me contou.
E sinto saudade e dor, arrependida estou, por não ter contato a vocês.
Mas posso dizer, com certeza, elas viveram, por um momento, dentro do meu cérebro, em suas curvas e trepidações, viveram.
