Meus vários filhos.


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Uns com muito, uns com pouco e uns com nada.

– Como será que nossos filhos serão? – Eu me assustei, meu coração bateu forte. Eu estava deitada no peito dele olhando o céu, o vento batia sereno nos nossos rostos. Ele foi o primeiro. O primeiro pai dos meus filhos.
Eu era nova nessa época, achava que tinha encontrado o amor da minha vida, o amor da vida não, mas sim o primeiro, sim, o primeiro. Meu primeiro amor. Depois brigamos e ele se foi, mas ficamos juntos o suficiente para que eu visualizasse os rostinhos num misto meu e dele, nossos filhos.
– Quero que seja um menino primeiro, ele terá o nome do meu avô. – Eu fiquei tão feliz, estava em pé com uma blusa surrada dele, estava fazendo café e ele atrás do balcão mordiscando um biscoito. Fiquei corada, provavelmente.
Me virei de costas para que ele não visse a alegria estampada no meu rosto.
– Não, será o nome do meu avô. – Eu ri e continuei fazendo o café. Mas foi algo tão passageiro, ele também foi o meu amor, achei que seria o da vida, não foi, mas eu gostei, pelo menos enquanto durou.
– Quero ter filhos com você – Eu fiquei surpresa, todas as vezes se fica surpresa, toda vez é um amor diferente, e dessa vez foi mais ainda. Foi no pedido de casamento. Eu sentada na poltrona vendo nossa série favorita. Meu coração deu um aperto, meu estomago se revirou, eu tremi, chorei e até gritei de felicidade. Já logo imaginei meus filhos, o terceiro pai deles, mas não menos especial. Ficamos juntos por um bom tempo, eu o amei muito, ás vezes me pegava vendo umas crianças correndo pela casa com os olhos verdes, ou cabelos negros ou até uma pele amorenada. Confesso que ele tinha olhos escuros, cabelo castanho médio e pele branca. Também confesso que o amava, mas nunca deixei de amar os outros, meus outros amores.
Um dia eu descobri que ele não me amava mais, não gostava do meu tempero, do jeito que sorria, até das minhas bobas cantorias. Terminamos, fiquei arrasada, chorei muito, achei que dessa vez eu nunca iria me recuperar.
Até que conheci esse, estamos juntos até hoje, pretendo ser pra sempre, ele ri de mim toda vez que dizia que queria uma criança com o sorriso dele, nos casamos, e um dia eu disse
– Vamos ter um filho – Ele chorou e me rodopiou, ele seria o pai dos meus filhos, ficamos tão felizes, até o dia do aborto.
O médico disse que poderia ser normal, fizemos um tratamento. Outro aborto. Mais um, mais um. Eu chorei, chorei muito e o médico disse que se eu tentasse outra vez eu poderia morrer.
Foi nesse dia que eu descobri que nunca poderia ser mãe, mesmo com tantos pais diferentes.
Ele continua comigo, é mais compreensivo que qualquer um, eu o amo, ele me ama. Mas nunca serei mãe, nunca verei o sorriso dele em uma criança. Nunca. 


10 respostas para “Meus vários filhos.”

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