Minha droga é cheia de bolinhas rosas. 


De manhã o cheiro era suave e o vento agradável. Senti um gosto bom ao soltar os cabelos, rir alto e gritar. Andava firmemente e sabia que estava tudo bem, mas lá distante, bem lá naquele lugar era só eu, a eu verdadeira. 

De tarde, eu arrumei um jeito de me torturar, primeiro chorei em silêncio diante de todos, joguei espinhos pela boca e me descontrolei. 

Era tão grande a dor que derramava em mim em gosmas pretas escaldantes, por onde elas escorriam disparava muita dor. 

De tarde, já sem aguentar meus pensamentos de vamos embora eu pensei melhor usar minhas drogas. 

Agora, estou até agora, presa nessa jaula vendo tudo passar, sentindo tudo num emaranhado de bagunça triste e não posso gritar. A droga selou minha boca, selou os meus olhos e eu fico triste só por dentro, só interna. 

E agora, tão zonza quanto me permito estar eu sei que estou aos poucos me perdendo. Aos poucos me fechando e ao deitar, com os olhos fechados eu vejo uma cachoeira caindo por dentro de minhas pálpebras, sem cor, sem som. Apenas um despencar de águas que me leva, me leva, me leva até a escuridão. 


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