– Ainda acordada querida? – a língua ia até os dentes formando um sotaque enrolado.
– Sim, obviamente…
– Você deveria trabalhar menos. Sinto sua falta na cama.
– Hum.. Você ficou comigo sabendo como sou.
– Sim, verdade. Acho que é por isso que continuo com você, porque apaixonei por quem você é e pelo jeito que você é.
– Hum…
– Querida?
– Hum…
– Olhei na geladeira e a garrafa de vinho sumiu. Era um ótimo Merlot.
– Não sumiu, eu peguei.
– A garrafa inteira?
– Sim.
– Você bebeu tudo?
– Sim, Valter!
– Está nervosa?
– Não! Estou trabalhando!
– Você bebeu tudo?
– Sim!
– Você não sabe beber querida.
– Valter?
– Sim?
– Se você não quiser morrer em cinco minutos dá o fora daqui.
– Você não sabe beber querida.
– E você não sabe ser um bom marido.
– Você sempre disse isso.
– É, e ainda estou com você.
– Beijos querida! Não esqueça o óculos.
– Não esqueça a luz!
– Não pegue a outra garra.
Assim que ele se foi ela disse:
– Já peguei.
