Sorri ao te ver mexer no cabelo, tao curto e liso que você passa os dedos e eles fogem de você.
– O que está rindo?
– Nada.
– Não diga nada, sei que está rindo de mim. – Ela agora colocava o pequeno brinco de brilhantes em suas delicadas orelhas, mordiscar… Hum…
– Vai trabalhar hoje? – Mudo de assunto.
– Vou, claro. Devo trabalhar todos os dias. Por que? – Ela já havia pego a bolsa e passou um perfume suave.
– Fica aqui.
– Vai pagar minha diária?
– Gosto da ideia de usar o seu corpo o dia todo.
Ela revirou os olhos e passou o batom. O que eu faria quando ficasse só? Não sei.
Ela me mandou um beijo de longe e sorriu. Fechou a porta e se foi.
– Não queria um beijo mesmo! – Mas estou só, só como antes, só como sempre estive. Mais só ainda nesse século, onde as mulheres são de quem elas querem. Nós homens? Viramos miche!
Ester Sousa.
