Não conheço minha voz.


Eu reconheceria minha voz na multidão?
Nem se estivesse gritando.
Gritando meu nome.
Gritando minha alma.
Não sei quem eu sou.
Minha voz me é estranha.
Não reconheceria meu rosto na multidão.
Nem uma de minhas tantas faces.
Sorrindo, estudando, chorando, trabalhando.
Quantas faces? Quantos nomes?
Eu estou cansada, confesso.
Cansada das respostas.
Das perguntas.
Decisões.
Eu não reconheço minha voz nem na minha mente me falando.
É a mesma voz.
A entendo.
Não escuto.
Não conheço.
Minha voz me é estranha.
Minhas caras não são minhas.
Outro corpo.
Outro dono.
Quem sou?
Quem?
Quem?
Ninguém sabe, quem vai saber?

Ester Sousa.


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