O teu silêncio chamou ao meu: gritamos. Fazia sentido gritar naquele momento de desamparo e desespero. Um momento fugaz para tudo o que estava acontecendo.
– Eu sinto muito… eu realmente sinto. – As palavras tão carregadas pareciam vazias ditas para o muro.
O muro estaca riscado, descascado e tinha esses desenhos que nunca conseguia entender o que significa.
Olhei novamente para ti, e você chorava.
Lágrimas gordas e salgadas que molhavam a terra e matava a vida que brotou verde e floresceu.
Quanto desespero!
Que dor.
Que tristeza.
-Não.
-Não?
-Não é tristeza, é arrependimento.
O tempo já passou.
O teu silêncio, sussurrou ao meu. Ele disse baixinho:
– O tempo passou.
Ontem eu estava na praia pensando que semana passada eu estaria lá, e essa semana eu estaria cá. Hoje eu penso, que era outro dia, eu ainda era criança.
