Eu o abracei e me rasguei em seu arame farpado.
“Me desculpe, por favor, me desculpe!!” Eram lágrimas em forma de palavras que pintavam em mim e se misturavam em meu sangue.
A escolha de enfrentar dores tão profundas foi minha.
A verdade a ser vista com os olhos semicerrados e sorrisos de escárnio.
A dor de sentir as facadas em meu útero e meus seios pesados.
Os gritos.
As horas passadas.
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Já haviam se passado alguns anos e eu não me lembrava do que aconteceu. Os dias eram novos, eu me conhecia apenas no dia de hoje.
Os sorrisos que eu dava eram verdadeiros.
Os abraços eram apertados.
Os sonhos coloridos.
As risadas eram altas.
O vento passou e emaranhou meu cabelo no zíper da jaqueta.
“Te ajudo!!”
E aquele, que eu já não me lembrava mais. Aquelas memórias que já haviam sido apagadas, voltou.
Os arames farpados grudaram em minha pele e voltei a sorrir para ele.
Já não havia lágrimas. Haviam dentes brancos e tortos.
E então, aqueles braços fortes, longos braços de aço, me abraçaram.
Já não havia mais arame ou carne.
Éramos um só.
