As ondas batiam contra os pés do garotinho, ele sorria mostrando os Dentinhos tortos. Azul, branco, verde, turquesa, até cinza havia no meio daquela imensidão de mar.
-Olha mamãe! – ele gritou balançando o cabelo escuro, veio correndo na minha direção. Minha?
– Oi meu bem – Minha voz saiu estranha. É minha essa voz? Essa sou eu? Eu o abracei, o corpo pequeno e quente.
– Eu achei uma estrela do mar. Ela caiu do céu bem pra cá, não é mamãe? A Laura falou que é mentira minha, que elas nascem no mar mesmo. Mas estrelas são do céu, igual o papai me contou. Não é mesmo mamãe? – ” Papai”, meu coração doeu. Porque esse garotinho lindo me chama de mamãe?
– É verdade meu filho, elas estão no céu e no mar. Umas nascem no céu e as outras no mar. – Ele me olhou confuso.
– Mas papi disse que…
– Papai morreu. – Lembrei. Papai morreu, se foi e me deixou. Por que eu ? O garotinho chorou. Uma gaivota gritou no céu, as ondas de quebraram. Me levantei e peguei em sua mão, fomos andando.
Papi morreu.
Sai do mar. Eu a concha e o garotinho me filho.
Papai morreu.
O garotinho parou de chorar.
– Pode chorar também mamãe. Eu sei. – Ele me olhou sério enquanto as lágrimas caiam de seus enormes olhos. Igual papai ele era. Nada meu.
Ester Sousa.
