O mesmo assunto, pessoa diferente.

Na minha vida morri há um tempo, não tem muito, mas já é o suficiente para sentir falta dos vivos.
Queria eu poder voltar, mas meus sorrisos são contidos, minhas gargalhadas impulsivas, a morte me levou a vida, o ânimo, a vontade.
Meus amigos que me cercam estão começando a morrer, o vírus que me assola se chama desilusão, uma vez infectado difícil reversão.
Meus passos já não ecoam mais na madeira, tudo o que escuto ou sinto é oco e vazio.
Só quero dormir, a morte me trouxe isso, o desespero e a sorte. Sorte? De continuar entre os vivos, sorte de continuar respirando, sorte de fingir esta tudo bem, ser atriz de sorrisos espontâneos, todos falsos meus caros.
E aquele que era para ser meu grande amor já há cada palavra me atinge com adaga, seu amor para mim se tornou veneno, morrer novamente eu não posso, mas tenho uma vida de dor.
O assunto chato e enfadonho, da próxima vez que eu escrever será um falso escritor. A verdade agora me repulsa, sou fraca, não tenho asas, condenada a andar, o caráter se foi com a minha compaixão.
Meu defeito é a espiritualidade, não consigo, por incrível que pareça, ser fútil e insolente, talvez o último tenha nascido comigo. Vermes que lhe comam a carne.


4 respostas para “O mesmo assunto, pessoa diferente.”

  1. Uma batalha do ego contra a alma. O ego, exausto, quase vencido, usa seu ultimo truque: diz para a alma que ela não pode enxergar senão através de seus olhos; ela acredita… O tempo passa e, talvez a alma não se dê conta que possui seus próprios olhos, basta abri-los.
    Seu texto, retratando a “morte”, é uma das coisas mais vivas que li nos últimos tempos. Obrigado.

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