A rua estava movimentando cheia de pessoas. Todos andavam sem rumo e olhavam para o nada. Um dia quente e tumultuado. Dois homens conversavam e riam entre si, como se compartilhassem um segredo de todos. Como se apenas houvesse eles. Quem os via não percebia que suas mãos se encontravam em várias esbarradas. Seus ombros se chocavam em uma carícia mútua. Eles sorriam. Estavam felizes.
– Olha só, se não é o Eduardo com esse viadinho. Vai falar agora que também é um viadinho? – O rapaz que dizia isso gargalhou para os outros dois homens que estava com ele.
Eduardo, o mais alto e gordo de todos ficou pálido.
– Não virei viadinho. – Seu amigo tentou pegar na mão dele, mas Eduardo o empurrou.
– Eles não podem fazer nada, fica tranquilo. – Só que Eduardo não ficou tranquilo, empurrou seu companheiro e gritou.
– Saia de perto de mim seu bicha escroto, só porque te comi acha que vou te querer? E eu lá tenho cara de bicha? – O homem que estava com ele empalideceu, seus olhos grandes e escuros ficaram cheios de mágoas.
– Você não quis dizer isso!
– Eu quis. – Os outros homens gargalhava de Artur companheiro de Eduardo.
– Nunca mais me ligue, nunca mais me procure
– Ah, mas não vai precisar. Quando eu quiser comer alguém eu pago uma puta, sei que ela não vai ficar no meu pé. – Os homens continuaram a gargalhar.
– Não devemos intrometer em briga de meninas, vamos embora antes que eles resolvam tacar os esmaltes e as púrpuras – Começaram a rir. Eduardo não olhou para Artur.
– O que tá olhando seu frutinha escroto? Vaza daqui! – Artur só tinha lamentos.
Saiu andando. Nunca, nunca em sua vida pensou que sentirá tanta dor. Achou que talvez a relação deles fosse terminar porque ele deixava a toalha em cima da cama, ou porque ele até gostava até mesmo de glee. Mas nunca pensou que fosse assim.
– Te odeio. Odeio. Mas me odeia mais ainda porque pensar que você seria diferente. Que você me amava. – Eduardo socou o rosto de Artur, causou mais gargalhadas entre os homens. Por fim ele se foi com o grupo risonho.
Artur ficou jogado no chão. Não doía o corte no lábio. Doía o coração. Doía o preconceito.
Ester Sousa.
