O vírus destruidor de almas. 


Os dedos pequenos e gordos batiam no teclado rapidamente. O homem olhava para os lados e o suor escorria de suas têmporas, costas, barrigas, pernas. Os olhos vidrados, olhava para a tela engolindo os códigos ali despejados. 

Rápido. 

Rápido. 

Olha só o tempo. 

O homem levantou, olhou para os lados. Saiu correndo. O computador continuou, na sua programação automática. 

02:56 

Uma ligação. 

Um vírus. 

Dez milhões de equipamentos destruídos, cérebros interligados. 

É a nova era, os tempos mudaram. Os dias já não são dias, agora é tudo noite e há quem diga que também mudará. 

O homem morreu, pulou de um edifício, se espatifou no chão, de braços abertos, olhos nos inquisitores. 

Agora, outros dedos ocupam a mesa, outros dedos teclam os códigos. 

O vírus entrou nas cabeças, estamos condenados, uma só rede, um só sistema. 

O que somos nós? Pra onde vamos? O outro mundo é o aqui, é o agora, a internet nos chama, o vírus corroe aquilo que chamamos de tempo. 


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