Olga.


Tenho para mim que a dor é passageira, como o tempo é para o rio.
Como a erosão é para as montanhas.
Como os estalactites são paras as cavernas.
Da mesma forma em que meus seios firmes foram para o meu corpo e agora são suaves e macios.
A dor, que dor.
O sofrimento, o qual é o sofrimento.
Dos meus olhos inchados, as lágrimas já se foram e tudo o que me resta agora é uma visão embaçada do mundo.
Tudo e digo, tudo, é absurdamente doloroso. Mas nesse sentido que dei vazão física em água, será passageiro.
Da mesma forma que o corpo humano é para a terra.
Que a Terra é para o Sol.
Que o Sol é para a Via Láctea.
Que a Via Láctea é para os buracos negros e então, para o universo.
Nesses simples versos se passaram segundos e para o universo, não foi nem um piscar de olhos. Foi uma célula morrendo e outra nascendo.
E assim, assim, eu acredito: é o sofrimento.

Minha gata, Olga, está doente e eu sofro de a observar sofrendo. Claro, proporcionei o melhor que posso: uma clínica especialista em felinos. Mas nem tudo se resolve com medicamentos e procedimentos médicos. E eu, a observei se transformar de uma gata gorda, a uma gata esquelética, sem poder fazer nada, só orar e desejar que ela melhore, enquanto está em boas mãos. Amar é sofrer. E amar um animal é saber que você irá amar e será amado de uma forma incondicional e totalmente inocente. Ela me proporcionou companheirismo, alegria, amor e afeto. E espero ter proporcionado uma vida boa para ela.

Que a Olga seja liberta: com saúde ou com descanso eterno!

Olga: uma gata gorda amarela e branco deitada em um cobertor rosa.

2 respostas para “Olga.”

  1. Eu entendo essa dor. Infelizmente, tive de tomar uma decisão difícil com Lolla, minha cachorra, porque ela não merecia mais tanto sofrimento. Embora, eu também estivesse sofrendo e ainda sofro com a falta dela. Que Olga seja livre, em qualquer das formas.

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Ester Lima

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo