– Por favor, permaneça quieta e não fale nada! – Seus olhos devem estar refletindo alguma luz, como alguém pode ter olhos tão brancos?
– Quem é você?
– Querida, qual parte de “Fique quieta e não fale nada!” você não entendeu? – Nós estamos sussurrando e eu não faço ideia do lugar que é este.
– Desculpe – Sussurrei, está no meu sangue ser educada. Talvez eu ter ficado de castigo um ano inteiro quando era criança tenha influenciado nisso. Está escuro e não vejo quase nada, a não ser o brilho dos olhos dela. O lugar tem um cheiro estranho, como se fosse errado. Há uma goteira a nossa esquerda. Passos vindo pela direita. Como seu disso? Dez anos na marinha até que me pegaram com a Sargento Luiza, não se dão bem com casos amorosos da mesma espécie.
– Vamos – A mão dela está úmida, ela me segurou com força e me puxou, fui de encontro ao corpo quente dela e me misturei. ME MISTUREI? COMO ASSIM?
– Cadê meu corpo?
– Cala a droga da boca! – Ela, ou melhor, nós duas saímos correndo em direção a uma grande porta de ferro, ela estava se fechando e nosso corpo misturado passou por baixo dela.
Chegamos do lado de fora e continuamos correndo, não houve disparos, nem gritos. Apenas um vento forte e nosso corpo pesado.
Ela subiu em uma moto grande com nossos corpos ainda mesclados, eu via pelos meus olhos, mas era diferente, mais nítido, mais quente. Meu corpo pulsava.
– Achei que já estivesse acostumada com coisas assim, se eu soubesse que não estaria nem teria tido o trabalho de vir buscar você. – A voz era nossa, misturada.
– Eu precisava ser salva?
– Pensei que soubesse.
– Desculpe, só me lembro de dormir.
– Ah, então eles foram espertos. Não cometeram o mesmo erro duas vezes.
Entramos numa garagem e ela se fechou. Estava novamente escuro, mas as luzes foram se acendendo para nós receber.
– A missão foi um sucesso Luiza.
– Vejo que sim Cecília – Luiza? Espera, Luiza?
– Ei, Luiza? A mesma Luiza que era sargento da Marinha?
– Prazer Sol, vejo que me reconheceu.
– Mas você estava morta?
– Acho que não mais. – Nós havíamos nos separado e eu não percebi, tudo o que via era minha felicidade e raiva, talvez frustração.
– Mas você está diferente, não é a mesma. Os olhos estão brancos e o cabelo longo. O que houve?
– Infelizmente não conseguiram recuperar o meu antigo corpo, então fizeram esse com certas melhorias.
– Prefiro cabelo curto.
– Eu também. – Ela pegou numa mexa do meu cabelo é sorriu, ele estava longo, não me lembrava de o deixar longo.
– Temos muito que conversar. – Ela ainda sorria quando me puxou para si.
– Sim, temos. – Ela continuou sorrindo enquanto me beijava. A sala floresceu e esquentou, mas eu não percebi que estava saindo de nós, meus olhos estavam fechados.
Ester Sousa.

Uma resposta para “Olhos de luz – Parte I”
Quieta, mulher.