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Os passos ecoavam pelo assoalho do quarto, ele estava tentando registrar as coisas que havia acontecido na semana passada. Primeiro de alguma forma ele que deixara Alice vegetal, isso lhe doida toda vez em que pensava sobre, segundo ele descobriu que não possuía sombra, e Alice também não! Terceiro o homem Sem Facehavia sumido, ele não o achava em parte alguma. O corpo todo tremia em expectativa, ele resolveu pesquisar na internet o fiel amigo do homem, ou esse seria o cachorro? Tanto faz. Ele ligou o tablete que logo apareceu uma foto dele e Alice fazendo caretas e sorrindo. O coração martelou em dor. Foi até o site de busca e digitou: Homem sem face. Apareceu reportagens de pessoas com doenças, nome de filmes, músicas, mas nada do que ele realmente procurava. Droga, isso é perca de tempo. Ele fechou a pagina de busca e procurou o aplicativo de piano, o abriu e começou a tocar a música que fizera para Alice, suave e gostosa, assim como ela.
– Bonita música. – Bernardo se virou pra porta depois de ter levado um pequeno susto e lá estava Dra. Meire segurando uma bolsa, vestindo uma saia lisa e preta com uma blusa de seda rosa camarão. Ela lhe deu um sorriso iluminando a face escura.
– Eu sei.
– Como está se sentindo?
-Normal. – Ela entrou e se sentou ao lado dele na cama. O perfume doce envolveu o quarto.
– Eu sei que fui severa com você, mas foi preciso, o que aconteceu com Alice não foi culpa de ninguém e isso mexeu com a sua cabeça, você começou a ver coisas que não existia.
– Existe, mas não vou teimar com você. – Ela respirou fundo, sabia que ele estava abalado.
– Tudo bem. Não vamos discutir, não agora! E bom, pode ir ver Alice. – Ele olhou pra ela com o rosto dolorido, não queria ver Alice, lhe doía imaginar que ela estava daquela forma por sua própria culpa.

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p>- Ela está te esperando na sala de música, pedi a Diane que a deixasse lá. Depois vá comer.
- Não!
– Você precisa ir Bernardo.
– E quem é você pra me dizer o que eu devo fazer? A minha mãe? Porque pelo que eu me lembre ela está morta, eu a vi morrendo, sabe como foi? Sangrento. Ela se matou, jogou o corpo contra a parede, se mordeu e depois bateu tão forte a cabeça na parede que os miolos saíram pra fora. Então eu acho que você não é a minha mãe, você não deve me dizer o que eu devo ou não fazer. Nem filhos você pode ter então não fique querendo criar o dos outros. – Ela se levantou sem dizer mais nada e saiu levando consigo o perfume doce e forte. Ele respirou fundo e bloqueou o tablete o deixando em cima da cama, estava cansado de todos dizerem o que devia ou não fazer, só porque ele gostava de Alice não queria dizer que deveriam colar ele nela, já que agora ela era uma droga de um vegetal, não sabia fazer nada sozinha! Foi a passos lentos até a sala de música, já estava anoitecendo e ninguém estaria lá. Quando ele chegou Alice estava sentada em uma cadeira, impassível. Ele não a olhou, foi até o piano e resolveu tocar, hoje estaria um belo dia para tocar Moonligth de Beethoven. Os dedos relaxaram e começaram a agir. Ele incorporou no músico dentro de si. Um frio repentino o envolveu, ele não se importou. Queria apenas tocar. Esquecer-se do que houve. Não queria saber. O corpo doía, a mente doía. Respirou fundo e foi tocando até que olhou para Alice por um instante. Nos olhos sem expressão tinham lágrimas. Ele parou subitamente e correu até ela pegando nas mãos frias. Ás vezes ele se esquecia de que tinha apenas 14 anos, ele pensava que era mais velho, um homem formado, e Alice era a sua amada. E com esses pensamentos ele sussurrava para ela secretamente
– Al, minha amada, ás vezes você eu te odeio por ter ficado assim. – E ela nada fazia, movia ou dizia. Um homem Sem Faceapareceu ao lado de Alice. Bernardo começou a tremer de ódio.
– Você me fez fazer isso! Eu sei que foi você! Eu sei! – O homem Sem Facepassou a mão pelo rosto de Alice carinhosamente e se virou para Bernardo. Um frio penetrou em seu corpo e mente, era como se a mente estivesse envolvida por aquele frio gostoso, não gelado e cortante. Várias lembranças soltas e palavras vieram em sua mente, coisas que ele não se lembraria sozinho, não com o bloqueio que ele tinha. O frio se tornou reconfortante, olhando para o Sem Faceele escutou Moonlight como se não houvesse parado de tocar. Os olhos de Alice estavam vazios, sem vida psicológica dentro. As lágrimas secaram, ele se perguntou o motivo que ela chorava, e o Sem Faceo mostrou. As lembranças que se passava pelo subconsciente dela, o que não fora de todo afetado pelo sombra. As palavras carinhosas de Bernardo, o beijo sincero que ele havia lhe dado. As palavras, os gestos, a música. O Sem Facetirou a mão do rosto de Alice e se fora saindo com o frio da sala de música e deixando Bernardo com a música dentro da cabeça e a mão nas mãos de Alice.
Agora mais que tudo ele precisava saber quem era esses seres, o que vivia dentro dele e os sem face. Ele sabia que não estava ficando doido e não iria abandonar Alice, ela era sua e de mais ninguém.
