Parte do céu, trilhado em tuas costas. E parte do tempo, nas batidas do teu peito.
E agora, teu suspiro o meu vento. Teus segredos meu mistério. E eu perdida. Em todo o meio. O entre dos teus seios.
A idade perdida, do corpo uma, da mente outra. E o momento, sempre o mesmo.
Quando acordo, já se foi. Um sussurro, o cheiro. O calor nos lençóis.
E a solidão, Ah. A solidão.
Os cílios grossos escondendo o olhar. Que olhar é esse? O que você está dizendo? Me diga em você alta e coloque legenda.
Eu te ouço, mas não te entendo. Essa tua língua, fica presa entre os dentes. E me lembra daqueles momentos, solta entre os lábios, suspiros entre afagos. E eu aqui. Louca, sem saber ler entrelinhas.
Tua mente, sempre atenta. Constelações em tua sombra. Dessa estória, só me resta…
O que eu digo, é a teu respeito.
Sozinha me enfrento, com você, eu receio.
Não sei dizer não ao desejo, mas se digo, é verossímil. Faz com que entenda, um adeus.
Corro, procuro abrigo. Já escureceu.
O cheiro de café que permeia no ar, te enjoa, você, com um sorriso diz “prefiro chá”.
Entretanto, agora, a hora já é hora, entre o escuro da noite e o brilho da lua eu minto:
Não há lar, como o nosso lar.
