(Esse é um texto forte, tem imagens explícitas. Será dividido em várias partes, mas quem não gostar de cenas com insinuação de sexo e violência a mulher não leia. Obrigada queridos. Boa leitura.)
Parte 1
Há sombras no mundo, essas sombras habitam nos nossos corações, assim como a luz, ambos estão adormecidas e famintas, ambas esperam ser alimentadas. Mas qual alimentar? Qual seguir?
Ella é uma mulher cuja alma foi vendida há tempos para o desespero. Para a fome e a miséria. Cujos medos fazem parte dos teus anseios.
Uma mulher cuja textura é de vidros estilhaçados e aquele em que a tocar será cortado.
Ela vive do que se tem de melhor, do teu corpo. Não, ela não o vende. Ela apenas usa-o como se preenche. Assim ela diz, acha. Aos homens se entrega ao prazer, se entrega a luxúria. Quais remorsos teria uma alma vazia? Quais dores teria um coração frio? Os sentimentos ali depositados a muito tempo foram perdidos, foram queimados em um passado sombrio. Não há trevas, não há luz. A apenas o vazio. E do vazio Ella se alimenta.
Esse é um dia como qualquer outro na vida de Ella. O batom vermelho nos lábios secos. O perfume floral na pele caramelada. Os cabelos soltos como sua alma vazia. Os olhos brilhantes, fundos e frios.
No corpo bonito ia uma roupa normal, roupa que não deduzia seu real interesse, um vestido florido, uma echarpe vinho, um sapato fechado de salto médio, a bolsa grande e amarronzada.
Ela não sorria, não falava, apenas existia. Era uma mulher morta e não sabia.
O dia estava fresco, estava propicio aos seus pensamentos sujos, a sua sede de algo oculto.
A porta de casa foi fechada, chaves do carro. Celular não precisava, não tinha ninguém a quem ligar amigos ou parentes, isso também foi perdido com o tempo.
Entrou no carro quente e abriu os vidros, tirou da garagem e se dirigiu para a avenida. O vento batia em seu cabelo e o fazia balançar livre, os óculos escuros no rosto refletindo o fim da tarde.
Não havia lugares certos, igual algumas mulheres preferia ir a baladas noturnas, hoje ela não era uma dessas garotas, hoje ela era uma mulher séria.
Talvez até fotógrafa. Sorriu ante a ideia.
Parou em um parque aberto, não tinha filhos ou cachorro, iria apenas sentar como uma boa fotógrafa e tirar imagens desses momentos tão dispersos.
Sentou-se no banco de pedra e começou a apreciar a paisagem, não que aquilo despertasse em seu coração alegria ou sentimento de êxtase, era apenas uma paisagem bonita e normal, tanto fazia ela estar ali ou não.
Ella tirou a pequena câmera da bolsa e começou a fotografar as pessoas, a paisagem. Tirou uma, duas, três fotos.
Uma mulher é forte até querer ser.
