Por minhas mãos, o êxtase.


Deixei a torneira do chuveiro aberta, enquanto tirava a meia-calça, os dedos, os pés, uma perna e depois a outra. Deixo a taça no parapeito da janela, estiquei o corpo. Será que coloco música? Clássica? Jazz? Blues? “ok google, música para relaxar”. Escolho a playlist, fecho a torneira, e entro. Aah, o calor, a água, o corpo. Saio da banheira, me seco, o corpo vibra, o tecido arranhando a pele, a brisa entumescendo os seios, o tapete entre os dedos. Passos para o quarto, entre as paredes nuas.


Deitada na cama, com o ventilador do teto rodando, me estico. Será que há bombas lá fora? O caos reina? A desordem permanece? Mais um gole no meu vinho, tinto ou rosé? Pego o celular e pesquiso, na aba anônima “porn for woman“, coloco um qualquer, assisto.

Entre as pernas, a barriga e os seios, fecho os olhos e me esqueço, tanto faz o que quer que esteja passando, na hora do ápice, nada importa. Entre assistir e fechar os olhos, retorcer e se esticar, eu chego. Um suspiro, o corpo cheio de endorfina.

Engraçado, que agora que passou eu me pego pensando, em 10 anos nunca havia gozado sozinha, sempre precisando de outra companhia, mas agora eu aprendi. Por que demorou tanto? O que me prendia? O que te prende? O que nos impede?

Aah, o ápice. Onde está meu vinho? Um gole.

O mundo ainda está em órbita? A Terra ainda gira em torno do sol? Nosso presidente é o mesmo? Ainda estamos em pandemia? Por um momento me esqueço, música de fundo, taça de vinho na mão, lânguida e cansada. A paz, aqui reina.


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