Sorrisos brilhantes para dentro de minha escuridão.


Mergulhada nos vestígios de minha lucidez eu me sentei junto àqueles infames, homens de línguas acinzentadas que gostam de usar palavras finas para assediar tua existência. Repúdio. Ódio, asco a eles.

Sorri diante as palavras, as quais eu não prestava atenção, para permanecer em minha sanidade por um pouco mais de tempo, um pouquinho mais.

E eles riem e nos olham com o olhar cheio de tesão, com essas bolsas escuras, com a pele flácida causada pelas drogas. Viva a vida, graças ao comprimido azul.

Cruzei minhas pernas e sorri. O que se sentava a minha esquerda olhou para o meu corpo e sorriu atrás de uma baforada de fumaça. Lambeu os lábios secos.

O quão ignorante devem ser, ao acreditar em meus sorrisos e em meus olhares fugazes. Asco.

O cerne do meu pensamento estava dentro do meu estômago, revirando, como um punhado de vermes através da carne morta.

– Sorria para a foto, princesa. – E eu sorri.

O quão podre, pode ser minha existência, baseada nesses casos cotidianos de encenação. Sou eu para o mundo e o mundo longe de mim.

Uma mulher e sua solidão.

Me levanto e olho antes de ir. Sorrio, afago meu cabelo e aliso minha saia.

De longe, me despeço, se eu tiver que chegar perto de qualquer uma dessas pessoas eu vomito.

Me apego a minha lucidez e me vou.

No silêncio de minha casa eu grito e choro.

O horror de uma vida de encenação, dentro e fora dos palcos.

Quem sou, se não uma eterna atriz?


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