A superfície era macia, elástica e rosada.
Dei passos incertos, sem saber qual caminho seguir. A vegetação era estranha, crescia da terra, em troncos longos, espirados, de um castanho escuro e em camadas. Se enrolavam em uma vegetação densa e áspera.
Continuei andando, naquela terra que nunca havia antes percorrido. Um cheiro acre e salgado permeava por onde eu passava. Era uma terra que não tinha fim.
Como vim parar aqui?
Me lembrei, então, noite passada, entre um gole e outro, um sorriso discreto, um olhar acalorado, eu disse sim, quando aquela voz rouca e profunda me chamou:
“Quer ir para a minha casa comigo?”.
Aceitei, peguei naquelas mãos grandes e ásperas e segui, rumo ao desconhecido.
Com um sorriso amarelado ele me puxou e me levou, até o sétimo céu, em cima de uma cama bagunçada, com cheiro de suor e roupas espalhadas pelos cantos.
“Agora você é minha”, ele sussurrou ao me inundar.
Diminuí, diminuí, diminuí e então, cai aqui: na Terra do Amor.
Um choro baixinho me tirou de meu topor. Corri, pulando poros dilatados até chegar ao som de lamúria.
“Nós nunca sairemos daqui!”, ela gritou ao me ver.
Tentei entender, mas tudo o que eu via era terra sem fim.
“Agora vivemos aqui, sob a pele dele.”
Ela gritou. Eu gritei. Nós gritamos.
Fazemos parte dele.

2 respostas para “Território desconhecido: aqui se bebe água salgada.”
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https://masticadoresbrasil.wordpress.com/2026/10/07/nao-ha-areia-no-fundo-do-mar-ha-silencio-e-misterio-ha-criaturas-e-almas/Publiquei dois textos seus na revista espanhola Masticadores. Parte do Brasil, para qual escrevo e edito. Venha nos visitar e se puder compartilhe, eu gostei muito deste espaço.Abraço
Miriam