– Eu queria poder confessar os meus pecados. Mas não confio no padre, não confio em ninguém.
– Confessa pra sua mãe.
– Pobre mulher, ela entraria em desespero e contaria para o meu pai, seria pior.
– Quer contar pra mim?
– Nem para o espelho.
– Você pecou muito?
– Você não tem noção.
– Você nem deve saber o que é pecado.
– Farei de suas palavras um conforto, assim, quem sabe, se é como você pensa as outras pessoas pensam o mesmo.
– Você é muito má?
– Claro que não, só sou uma pecadora frequente.
– “Ame o pecador e não o pecado. ”
– Algo assim. Tem cigarro?
– Só do barato.
– Serve. Isso, tá bom, obrigada.
– Tem muito tempo que fuma?
– Esse foi meu primeiro vício, tinha quatorze anos.
– Olha só, uma confissão.
– Parece né?
– Já foi para outras drogas?
– Olha pra mim, não perco tempo com coisas que não dão futuro.
– Nada?
– Só maconha, e de vez em quando. Fumava numa época em que trabalhei com pintura.
– Sério? Olha, é melhor eu ir embora.
– Por que?
– Você não está segura perto de mim. Meu rosto lindo e inocente está fazendo você se confessar, e acredite, eu já tenho meus próprios pecados.
– Até mais, um dia você vai descobrir o que é pecado, até lá se conforme em saber que além de fumar eu também curto bebidas fortes.
– Ah, sério?
– Sério, amo chá!
– Um dia faço pra você minha especialidade.
– Não sendo doce.
– Não vai ser, você vai gostar. . . . . . . . -Tchau.
– Beijos bonequinha!
-…
-…
-…
– Bonecas são ocas por dentro, será que cabem todos meus segredos?
Ester Sousa.

Uma resposta para “Três Aves Maria, dois Pai Nosso e cinco Terço.”
Cabem cada um deles.